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A Casa do Povo de Lousado foi fundada, por concessão
do alvará de 27 de Abril de 1937.
Adelino Leitão da Silva foi o grande impulsionador da
casa do povo de Lousado. Pois este saudoso Lousadense, com o seu
inultrapassável bairrismo, com a sua reconhecida inteligência e com o seu
inquebrantável querer, conseguiu fazer deste sonho, uma autêntica e feliz
realidade.
Logo que foi delineado o Decreto Governamental que
regulava e dava vida à criação das Casas do Povo, começou a pairar e a
fervilhar na mente do Sr. Adelino, a férrea vontade de fundar nesta nossa terra
uma dessas promissoras Casas do Povo.
Estamos então nos últimos meses do ano de 1936! Num
domingo, tinha terminado a missa dominical, iniciada às 9 horas. As pessoas que
nela haviam tomado parte já se encontravam no adro. O Sr. Adelino convida-os a
aguardarem uns minutos, pois queria ter uma pequena conversa com todos.
Segurava um livro na mão (era legislação das Casas do
Povo).
Sobe acima da parede do resguardo do adro e começa a
falar, atraindo todos os presentes. As suas primeiras palavras foram para fazer
a apologia dos fins para quais as Casas do Povo haviam sido criadas. Lembrou os
benefícios que elas haviam de trazer a todos, mas especialmente ao mundo rural.
O numeroso auditório, manifestamente interessado, ouvia-o com grande
satisfação. Com a sua bem argumentada exposição conseguiu desde logo um número
suficiente de pessoas para requerer a criação da Casa do Povo, nomeando-se uma
Comissão Instaladora. Em 27 de Abril de 1937, é superiormente concedido o
Alvará que dá força jurídica à criação da Casa do Povo de Lousado, Concelho de
Vila Nova de Famalicão e Distrito de Braga.
Seguidamente são admitidos sócios e posteriormente são
feitas as primeiras eleições para a formação dos Corpos Gerentes. Como
logicamente não podia deixar de ser, Adelino Leitão da Silva é eleito
Presidente da Direcção.
Já na qualidade de timoneiro, Adelino Leitão da Silva
começa por orientar com grande mestria e com reconhecimento sentido de
responsabilidade a boa navegabilidade do pesado barco.
Com a sua notável lucidez, com o seu entusiasmo e com
a sua juventude, sabia até onde devia e podia ir. A sua audácia e o seu talento
começam logo a ser postos à prova. Assim, a primeira tarefa que se propôs levar
avante, foi a construção do edifício físico da Casa do Povo. Sem demora começou
idealizar o seu magnífico projecto, vindo a sumptuosa obra (Casa do Povo) a ser
concluída e inaugurada festivamente a 22/06/1941. Devemos acrescentar e
fazemo-lo consciente e gostosamente, que a designação: “Casa do Povo” aqui
nesta obra se enquadra perfeitamente bem. Pois poucos teriam sido os
Lousadenses que, para a sua construção não contribuíram com a sua ajuda, com o
seu esforço e com o seu trabalho. Todos dedicadamente ajudaram na sua
construção. Por isso, Casa do Povo – Casa de Todos? Esta data 22/06/41 foi
histórica para Lousado. A partir dela, Lousado iniciou um novo ciclo de vida,
pois iniciou um surto de progresso e de desenvolvimento a todos os níveis.
Porque as gerações mais jovens desconhecem o dinamismo e a hercúlea força de
vontade dos seus dirigentes, imprimida nos primeiros tempos da vida deste
Organismo Corporativo.
No período temporal da sua constituição se viviam
tempos economicamente difíceis. Tudo faltava! Vivia-se a terrível e mortífera
guerra de 39 a 45. Porque tudo faltava, houve que ser decretado o racionamento
de viveres. O pão, alimento básico e por isso fundamental para a alimentação
humana estava incluído no racionamento. Por isso passava-se fome de pão.
Consciente desta terrível situação, a direcção da Casa do Povo, em colaboração
com a Junta da Freguesia (o presidente da direcção da Casa do Povo era
simultaneamente o presidente da Junta de Freguesia) correndo vários riscos, vão
a Paredes de Coura, terra farta em produção de cereais e com pouca população e
compram uma camioneta de milho e centeio. Estes cereais chegaram a Lousado e
são recolhidos na Casa do Povo, onde é distribuído através de senhas e em
função do seu agregado familiar a todas as famílias Lousadenses. Esta operação
foi feita tantas vezes quantas foi necessário. Enquanto os Lousadenses eram
suficientemente abastecidos de pão, noutras terras próximo desta passava-se
fome. Outra acção prepotente desta Casa do Povo, graças ao seu prestígio, foi
ter contribuído para que a Manufactura Nacional de Borracha (Mabor) aqui
tivesse vindo a ser edificada.
Para quem não sabe, a escritura da compra e venda dos
terrenos, foi feita nesta casa.
No referente à construção de obras, foi nessa época
áurea que foi enquadrado nos Monumentos Nacionais a Ponte da Lagoncinha, que se
construíram Pontes (ponte denominada Rebelo); que se captou e distribuiu pela
freguesia inteira água, levando-a não só aos domicílios, mas também
distribuindo-a pela via dos fontenários. A distribuição da água era nesse tempo
privilégio das terras grandes. Haviam sedes de concelho que ainda não
beneficiavam desse bem. Abriram-se e construíram-se algumas estradas e as
escolas.
A este período inicial, seguiu-se uma fase limitada
praticamente à prestação de serviços na área da saúde e da previdência social.
Atravessávamos já a era decadente do “Estado Novo”,
finais do período “Salazarista”, princípios do “Marcelismo”. Foi um período
caracterizado pelo alargamento dos benefícios de previdência social e de
assistência médica. A Casa do Povo transformou-se na “caixa” dos trabalhadores
rurais e estendeu a prestação dos cuidados de saúde a toda a população,
colocando mais médicos a trabalhar sob a sua alçada. As freguesias de Cabeçudos
e Esmeriz passaram a pertencer à área geográfica desta Casa do Povo, integrando
os trabalhadores rurais dessas freguesias nesta “Caixa de Previdência”.
No domínio cultural, recreativo, assistencial e
desportivo, a acção da Casa do Povo, constituiu um elevado marco referencial.
Aqui foram levadas à cena várias peças teatrais, todas
feitas com a “prata da casa” que é o mesmo que dizer, com artistas Lousadenses.
Todas elas com casas cheias; aqui se passaram durante vários anos e com
períodos regulamentados muitos filmes, todos eles com sentido pedagógico, moralizadores
e educativos. No domínio desportivo fomos brilhantes na pesca não só de rio mas
também de mar, conseguindo obter os primeiros lugares a nível nacional.
Aqui se prepararam gerações de jovens para o bom
conhecimento da vida doméstica, através de cursos administrados na área da
costura, de bordados, da culinária e do bom comportamento cívico.
A casa do Povo podemos dizê-lo sem receio de
desmentido foi o verdadeiro motor de arranque destas apreciáveis estruturas
sociais que estamos a usufruir. Bem-haja quem lutou afincada e acerrimamente
para que assim tivesse acontecido. É esta, embora que os traços largos, a
trajectória da vida da Casa do Povo.
Há um período, nesta instituição de plena apatia, foi
após o 25 de Abril, sequente às transformações políticas e sociais que
emergiram. Foi uma etapa da vida da Casa do Povo algo indefinida, cinzenta, sem
iniciativas e de mera gestão do património. Os responsáveis não souberam, ou
não quiseram, acompanhar a evolução dos tempos, estagnando por completo a acção
da Casa do Povo. Depois de retirada a tutela da saúde e da segurança social dos
rurais, surge o decreto-lei nº 4/82, definindo um novo regime jurídico para as
casas do povo, autonomizando-as e entregando-lhes um estatuto próprio do
associativismo. Os dirigentes da altura esgotam-se na sua missão, limitando-se
passivamente a assistir ao passar dos tempos, numa postura de evidente cansaço,
desmotivados e/ou não vocacionados para esta nova filosofia de trabalho, isto
é, de orientação da acção na dinamização da colectividade no seu todo, de
particular enfatização dos eventos culturais e desportivos comunitários, de
integração das diferentes sensibilidades de opinião, de alheamento de feudos
partidários ou de segregação de elites.
O dinamismo renasceria nos princípios da década de
noventa, com uma nova gestão. Os novos corpos gerentes, inspirados no diploma
que restitui às casas do povo o espírito associativista e que as torna
autónomas em relação a qualquer poder político ou paternalista, assentes na
vasta experiência associativa que desfrutam, nas áreas cultural e desportiva,
imprimem uma nova dinâmica. E os resultados estão à vista, com uma infinidade
de iniciativas que coloca esta Casa do Povo no topo das suas congéneres,
regressando, a par e passo, às origens, mesmo apesar dos tempos serem outros.
Casa do Povo de Lousado é uma pessoa colectiva de
utilidade pública, de base associativa, constituída por tempo indeterminado,
com o objectivo de promover o desenvolvimento e bem-estar da comunidade.
Casa do Povo tem por finalidade desenvolver
actividades de carácter social e cultural, com a participação dos interessados,
e colaborar com o Estado e as autarquias, proporcionando-lhes o apoio que em
cada caso justifique, por forma a contribuir para a resolução de problemas da
população na respectiva área.
Para a realização dos seus fins, a Casa do Povo:
Promove acções de animação sócio-cultural, quer por
iniciativa própria, quer de acordo e em coordenação com outras entidades.
Fomenta a participação das populações nas acções
tendentes a satisfazer as necessidades da comunidade da respectiva área e a
melhorar a sua qualidade de vida.
Executa, por delegação e por solicitação, tarefas
cometidas a serviços públicos, de forma a aproxima-los das populações.
Participa no planeamento de acções de carácter
económico, social e cultural que abranjam a respectiva área.
Actividades:
Cedência de instalações
Biblioteca
Escola de Musica
Danças de Salão
Pesca (rio e/ou mar)
Jogos de Mesa (Bilhar Livre,
Snooker, Damas e Sueca)
Karaté
Ténis de Mesa
Futebol Salão
O Jornal Voz da Casa do Povo
Convívio de esplanadas -
(realizam-se durante o mês de Julho e Agosto)
Comemoração do 25 de Abril
Eventos Musicais
Teatro
Escola de Música
O edifício é de grande beleza, sendo aplicados, na sua
construção, materiais da região o que o tornam ainda mais característico.
Hoje podemos constatar que houve muito brio, tanto na
sua recuperação como na sua conservação, o que delicia os olhos de quem o
contempla
António Máximo
O Jornal Voz da Casa do Povo
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