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19-Mai-2008

 

Lenda da Pedra da Moira Encantada

Depois de passar a Ponte da Lagoncinha em direcção a Santo Tirso a uns duzentos metros passamos por uma pedra onde está desenhada uma grande cruz na rocha fechada que se eleva acima da terra.

Lá debaixo estão belos tesouros de oiro e uma moura encantada. Tente descobrir a senha que desfaça o encantamento. Depois pode casar com ela, porque a moça é mais linda que a estrela da manhã, e ficará muito rico.

 

 

 

 

Lenda do RIO AVE

Há muitos anos, há mesmo muitos, muitos anos, dezenas ou centenas de anos, chegou à Serra da Agra uma jovem, com um rebanho de cabras, vinda da Galiza. Sem ligar a fronteiras que, naquele tempo, não tinham a importância que hoje lhes damos, por ali andava a cabreira guardando o seu rebanho e admirando a paisagem que seduzia e encantava.

Por encostas e vales a jovem cabreira, bonita e formosa, ia contemplando a beleza local: os mantos verdes da vegetação, o azul transparente do céu, o amarelo cintilante do sol…. Nesta Serra do norte de Portugal, com 1200 metros de altitude, na passagem da província do Minho para a de Trás-os-Montes, reinava a paz. Os sons emitidos pelo rebanho, o chilrear das aves e o relinchar dos pequenos cavalos, os garranos, que habitavam a serra, eram uma melodia que sublimava as lindezas da natureza.

Mas um dia instalou-se a confusão. Cães que ladravam, cavalos que galopavam, homens que bradavam, trombetas que tocavam, setas e mais setas que assobiando cortavam o ar. Andavam caçadores pelas redondezas e a linda cabreira foi vista por um cavaleiro, também ele jovem, bonito e encantador. Deslumbrado com a sua formosura, o cavaleiro parou, admirou-a e com um grande sorriso, disse-lhe:           

- Olá linda cabreira! Estou seduzido pela tua beleza. Os teus cabelos são como raios de sol, o teu olhar tem o brilho das estrelas e a tua doçura o reflexo do luar. Ela sentiu o mesmo encanto pelo cavaleiro e, envergonhada, respondeu-lhe:           

- São os vossos olhos que me vêem assim. Senhor! Não mereço tanta admiração e o que me dizeis faz-me corar.           

Vencido pela atracção que por ela sentia, o cavaleiro desceu da montada e deixou a caçada.            

- Ouve, por ti, e só por ti, deixo os meus amigos e fico nesta serra só para te adorar!           

 E foi assim que começou, entre eles, uma linda história de amor.           

O cavaleiro e a cabreira esqueceram-se dos dias. Ali, sozinhos e felizes, sonharam, brincaram e fizeram juras, como se só eles existissem no Mundo. Mas, um dia, o cavaleiro sabendo que tinha trabalhos importantes a fazer e assuntos urgentes a tratar viu-se obrigado a partir.           

- Ouve, minha princesa, eu vou ausentar-me, mas voltarei o mais depressa possível. Já não posso nem quero viver sem ti.           

Suspirando de tristeza, a cabreira apenas confessou:           

- Nem sei sequer quem és, nem tão pouco como te chamas.           

O cavaleiro sorriu e abraçou-a, procurando dar-lhe confiança.           

- Pouco importa, sou o homem de quem tu gostas e que também gosta muito de ti.           

Mas digo-te que sou o Conde de uma vila próxima e em breve virei buscar-te para o meu palácio. Espera por mim!           

Como numa jura, ela prometeu:           

- Esperarei até ao fim da minha vida.           

 E esperou….           

Os dias passaram, uns atrás dos outros, e a cabreira aguardava, impaciente, o seu amado.Recordava os dias felizes vividos com ele e não o vendo chegar ia entristecendo. Então, pensava:           

- Preciso de o encontrar, de o ver, abraçá-lo, brincar e sonhar de novo… nem que para isso tenha de me transformar numa ave para sobrevoar as vilas mais próximas.           

O tempo corria e o cavaleiro não voltava. Cada vez mais triste, quase morta de cansaço a cabreira começou a desesperar. As lágrimas inundaram-lhe os olhos e chorou. Chorou tanto, tanto, que as lágrimas foram formando um rio. As suas águas, que eram a dor e a mágoa da linda cabreira, percorreram as terras das redondezas.           

Para ajudar este rio, a encontrar o cavaleiro, outros, mais pequenos vieram ao seu encontro. Da margem direita chegou o rio Pelhe que percorreu 20 quilómetros e o Este 52 Km. Da margem esquerda ocorreu o rio Selho que caminhou 21 quilómetros e o Vizela 47, trazendo consigo os rios Ferro e o Bugio.             

Todos juntos, rios e riachos cobriram uma área de 1390 quilómetros quadrados. Correndo de nordeste para noroeste, o rio de lágrimas calcorreou 94 quilómetros. Com os rios mais pequenos banhou terras de Vieira do Minho, Povoa de Lanhoso, Fafe, Guimarães, Vizela, Santo Tirso, Lousado, Ribeirão e Trofa, espraiando-se em Vila do Conde, a terra do cavaleiro que jamais foi encontrado.           

O povo comovido e entristecido com a malfadada história da jovem e linda cabreira, não quis que ela fosse esquecida. Assim passou a chamar-se à serra onde a cabreira e o cavaleiro se conheceram – Serra da Cabreira e ao rio de lágrimas – Rio Ave – Já que ela queria ser  ave e voar.           

Um dia, se puderes, visita a Serra da Cabreira e faz o percurso do Ave. Quem sabe … talvez ainda descubras as lágrimas da linda Cabreira.       

Fonte: Livro "A Lenda do Rio Ave e da Serra da Cabreira"