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Esta capelinha de S. Lourenço, tão pequenina encastoada num canto da ponte da Lagoncinha cujo restauro amanhã se festeja, tem historia e tem lenda. Foi neste quadro de fé – uma pincelada rústica e devaneadora – que D. Goncinha jurou amor e fidelidade ao moço fidalgo Dom Egas Ermiges e assim havia de selar o seu amor. No remanso paradisíaco do Ave, a moça que a lenda não diz se bonita se feia mas romântica por certo, Dona Goncinha, esperou o seu pagem, fazendo «rendez-vous» do taboleiro de seixo e granito que, sobre o rio, ligava Santarém a Braga, e lá ao fundo, no espelho das águas a sua imagem, de largos e fartos bandos, reflectia-se, sonhadora e poética. Reza a lenda que mais longe, da banda de lá do Ave, os pagens contêm fartos tesouros encantados, enxameados por libélulas em «can-cans» dantescos e inexpugnáveis, em honra de príncipes enfeitiçados. Está esta pequenina capela, nicho que todos veneram e a lenda mantém num ritmo romântico e encantador, ligada à historia da Ponte, que herdou o nome da nobre e abastada dama Dona Goncinha, benfeitora também do Mosteiro de Santo Tirso, e tendo-a como patrona, passou a chamar-se Lagoncinha que o passado veio a transformá-la em monumento nacional de que se orgulha Lousado e o concelho de Famalicão. A capelinha de S. Lourenço é o «ex-libris» desta lenda romântica de Dona Goncinha e Dom Egas Ermiges – cavaleiro fidalgo, cujo sussurro amoroso parece escutar-se nas águas que, lavando as margens e os lagetos, se espreguiçam até à foz. Lenda? História? Não se sabe bem. Uma coisa e outra. O povo o decorou. Acredita. Tem uma ternura especial, romanesca, quando, junto da ponte e à capelinha sente enternecido este lendário amor de D. Goncinha e Dom Egas. Ver mais aqui
Jornal Famalicão nº285 -11/09/1954 |