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21-Mai-2008

 

 

 Igreja Nova – Bodas de Ouro Sacerdotais - Lousado 23-04-1961

Vislumbramos Lousado, outrora, como meio, campesino, a reger-se por um código moral, segundo os costumes herdados dos seus ancestrais. Depois veio o aumento demográfico e a necessidade de se lhe proporcionar meios de vida próprios,

O caminho-de-ferro, a principio e agora as unidades industriais localizadas nesta freguesia foram os meios de vida a satisfazer a economia local.

Esta mutação económica arrastou consigo novas actividades no campo moral e religioso. Tornou-se necessário adoptar novos processos educacionais que acompanhassem o novo sistema de vivência entre os lousadenses.

Esses novos processos educacionais foram postos em prática pela igreja, por intermédio do seu Pároco. Ressurgiram actividades juvenis que se encontravam latentes e foram criadas novas. É o caso das juventudes e do escutismo, por exemplo.

Porém, a vetusta e tradicional Igreja de Lousado já não era bastante para todas estas modalidades, nem sequer para os actos normais do culto religioso. Havia mister de ampliá-lo ou de se fazer nova Igreja. Optou-se pela segunda solução e ainda bem que o fizeram. Um plano ainda no domínio das hipóteses há cerca de um ano é hoje uma palpável realidade.

Na velha Igreja em 23 de Abril de 1911, nesta velha paróquia, Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, celebrou a Missa Nova. Cinquenta anos mais tarde quis também, nesse local, oferecer novamente o Santo Sacrifício.

Lousado não podia deixar de se associar a esta Festa como o fizera cinquenta anos atrás. Mas desta vez, num gesto de simpatia e gratidão para com o seu mais insigne Lousadense, como que o presenteou com uma obra de transcendente valia religiosa e social, fazendo com que, em vez da velha e já saudosa Igreja, aparecesse ante os seus olhos um novo e esbelto templo a testar a vontade de todos em fazerem-se acompanhar das actividades religiosas a par do progresso material verificado.

Sua Eminência ajudou Lousado; Lousado retribui generosamente.

O programa das comemorações das Bodas de Ouro do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa foi executado conforme estava previsto. Tudo correu de feição e a poder dizer-se que foi maravilhoso. No livro dos factos desta freguesia será este acontecimento o de maior valia por esses tempos em fora.

O cortejo processional da residência familiar de Sua Eminência à Igreja e que precedeu a bênção desta e a realização da Primeira Missa, vincou bem o carinho e amor que os Lousadenses dedicam a este seu Maior. Todos acorreram ao lugar da Serra e todos O acompanharam à Igreja. Os festões que ladeavam o caminho e o tapete de flores jacente eram fruto do esforço dedicado e espontâneo dos novos de Lousado.

As colgaduras e as flores com que O presentearam à sua passagem eram o preito dos restantes.

Depois foi a bênção da Igreja, feita por um Filho de Lousado. A alocução que precedeu à Missa, à celebração da Missa, o descerramento da lápide comemorativa do acontecimento, o descerramento duma efígie em bronze do senhor  Conde da Covilhã na Sacristia, como grande benemérito desta Igreja e o Te Deum em acção de Graça s em Honra de Sua Eminência foram as cerimonias realizadas na nova Igreja.

Fora, efectuou-se a inauguração do Centro Social Cardeal Cerejeira, uma iniciativa feliz do Sub – Delegado do I.N.T.P. de Braga. Ex Dr. Nuno de Bettencourt, patrocinada pelas empresas locais – e um almoço oferecido a D. Manuel Gonçalves Cerejeira  que decorreu num ambiente de elevação como era já de prever. De todas as manifestações de simpatia e louvor pelo Homenageado houve uma que calou bem fundo e que arrancou uma selva de palmas a todos os presentes. O Senhor Presidente do Concelho enviou a Sua Eminência um telegrama de saudação que era composto nos seguintes termos:

«Tenho seguido Imprensa notícias acerca nova Igreja construída pela população de Lousado e Sagração Missa Comemorativa da primeira celebrada há cinquenta anos na velha igreja que eu conheci. Associo-me à Festa de Todo o coração. Afectuosos cumprimentos (a) Salazar».

O povo de Lousado não esteve só nesta festa de homenagem a Sua Eminência. As autoridades religiosas e civis do Distrito de Braga também estiveram presentes em todas as fases da festa.

De entre outras, destacaram-se os Senhores Arcebispos de Braga e Mitilene O Governador Civil, de Braga, o Presidente da Câmara de Famalicão, representante da Comissão concelhia da U.N. de Famalicão, Conde da Covilhã, Administradores da Manufactura Nacional de Borracha e Industria Têxtil do Ave, Delegado e Sub – Delegado do Instituto Nacional do e Previdência de Braga.

O dia 23 de Abril de 1961 foi para o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa um dia inolvidável. Que Deus permita a sua estadia entre nós,os mortais, por muitos anos.

Que a sua Veneranda Figura seja para nós um símbolo de Fraternidade Cristã de que foi intrépido pregador e defensor. Que o seu exemplo seja para nós os Lousadenses e para todos os portugueses um motivo de profunda e sentida meditação, nesta hora de provação nacional.

 Aqui fica o nosso preito de verdadeira gratidão – C

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Jornal da Trofa nº 5 - 29 Abril de 1961