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29-Mai-2008

Santa Marinha Padroeira de Lousado

Quando a nossa Terra Lousado, foi juridicamente constituída civil e religiosamente como freguesia, os seus naturais, entenderam por bem escolher para sua Padroeira Santa Marinha.

E quem terá sido Santa Marinha, a quem o mundo católico romano presta culto e venera religiosamente a sua imagem exposta nas igrejas? Segundo o que é descrito pelo Reverendo Padre António Augusto Tavares Martinho no livro por si escrito, intitulado: “Santa Marinha História e Lenda”, esta Santa, venerada nos altares, nasceu na cidade de Braga, no ano 120 da era Cristã.

Através da leitura desse livro, fundamentado na História, mais ficamos a saber que Santa Marinha era filha de Cálcia Lúcia e de seu marido, Lúcio Caio Atílio Severo, então Régulo (governador) de uma das muitas províncias em que nesse tempo estava dividido o extenso Império Romano a qual era constituída pela Lusitana (parte do Portugal de hoje) e da Galiza. Mais nos revela a História descrita pelo autor do acima referido livro, que os seus pais eram gentios e idólatras.

E mais ficamos a saber que quando o Régulo (governador) Lúcio Atílio, estava ausente, fazendo companhia ao Imperador Adriano, que se encontrava de visita à sua Província nasceu a menina, sua filha, a quem foi dado (pelo baptismo) o nome Marinha.

Ao seu nascimento assistiu somente uma parteira, de nome Cita que professava, ocultamente a religião Cristã. Após o nascimento da menina que viria a ser santa Marinha, a sua ímpia e desnaturada mãe, não teve repugnância de tomar a infernal e desumana decisão de ordenar à parteira, Cita, única testemunha presencial do nascimento que tirasse a vida à recém – nascida levando-a a afogar nas águas do rio Este, que corriam e correm, junto da cidade de Braga, obrigando-a seguidamente a que ela divulgasse a noticia de que o parto tinha sido infeliz, dele resultando um nado-morto.

A parteira, Cita começa por procurar dar cumprimento á ordem terrivelmente macabra da ímpia e desnaturada mãe, seguindo em direcção do rio Este.

Entretanto a sua mente e o seu espírito são surpreendidos com o celestial pensamento de não tirar a vida àquela cândida criancinha, mas sim, levá-la ao Santo Ovídio, então Arcebispo de Braga, e contar-lhe o que se passava. Seguindo este pensamento Celestial, a parteira, Cita, dirige-se ao Arcebispo e revela-se a tragédia que havia sido preparada para tirar a vida á inocente criancinha.

O Arcebispo toma a criancinha nos seu braços e baptiza-a dando-lhe o nome de Marinha. Seguidamente consegue uma ama para a criar. Assim, sob a protecção e os desvelados cuidados dessa senhora vive em Braga até aos 10 anos de idade. Porém, as vicissitudes da vida, fizeram com que o seu pai, Lúcio Caio Atílio Severo, viesse a ter conhecimento do sucedido. Assim, ordena aos seus súbditos para que procurassem a sua filha Marinha e a trouxessem à sua presença, o que veio a acontecer. Logo que foi esclarecido o que se tinha passado, confirmado pela desnaturada mãe e o Régulo Lúcio Atílio, sabendo que a sua filha tinha sido baptizada e professava a religião cristã, obrigou-a a apostatar, o que ela não admitiu.

E porque não abdicou de seguir a doutrina do seu divino Mestre e porque o seu ímpio pai a obrigava a apostatar, a Marinha não teve alternativa senão na primeira oportunidade ausentar-se da residência dos seus pais fugindo da sua companhia. Foi o que fez, seguindo a caminho de Orense Galiza, vindo a arranjar trabalho na povoação de Armea, próximo de Orense, ficando ao serviço de uma lavradeira.

Porque se começou a notar e a tornar-se publico que a Marinha era cristã, seguindo a doutrina de Cristo com toda a fidelidade e com todas as circunstancias, logo os gentios iniciaram a sua perseguição, acabando por a torturar, matando-a por degolação.

O autor do referenciado livro, termina a descrição da Historia, com o seguinte paragrafo: “foi, por fim, degolada em Aguas Santas ao cimo de Armea, onde El-Rei Dom Afonso Magno, mandou edificar uma igreja, dedicada ao seu culto”. Resta-nos acrescentar, para que possamos fazer uma ideia do culto que os Portugueses e os Espanhóis, nomeadamente os Bracarenses e os Galegos dedicam a Santa Marinha, que na diocese de Braga há 31 freguesias que tem como seu Orago (Padroeira) Santa Marinha, a diocese do Porto tem 18 e as demais dioceses Portuguesas tem entre 3 e 4; na Galiza há também numerosas freguesias padroadas pela Santa Marinha e no concelho de Vila Nova de Famalicão há 4 a saber: Gondifelos, Lousado, Mogege e Portela. É esta, embora que de modo muito resumido, a história de Santa Marinha, nascida na cidade de Braga no ano 120 da era cristã.

O dia que oficialmente lhe foi designado é o dia 18 de Julho. Pois bem neste dia e desde tempos imemoriais, os Lousadenses sempre lhe tributaram e renderam as suas homenagens. A confraria das almas, fundada no século XVII, tem no texto dos seus estatutos, um paragrafo que diz que no dia 18 de Julho de cada ano a confraria será obrigada a mandar celebrar uma missa em sufrágio dos seus irmãos falecidos, finda a qual irão os irmãos devidamente uniformizados em romagem ao cemitério paroquial, seguindo-se um oficio na igreja matriz. Entre outras comemorações estas cerimónias nunca se deixam de realizar no dia 18 de Julho de cada ano.


António Máximo