Casa do Povo de Lousado
01-Set-2008

 

 

A Casa do Povo de Lousado foi fundada, por concessão do alvará de 27 de Abril de 1937.

Adelino Leitão da Silva foi o grande impulsionador da casa do povo de Lousado. Pois este saudoso Lousadense, com o seu inultrapassável bairrismo, com a sua reconhecida inteligência e com o seu inquebrantável querer, conseguiu fazer deste sonho, uma autêntica e feliz realidade.

Logo que foi delineado o Decreto Governamental que regulava e dava vida à criação das Casas do Povo, começou a pairar e a fervilhar na mente do Sr. Adelino, a férrea vontade de fundar nesta nossa terra uma dessas promissoras Casas do Povo.

Estamos então nos últimos meses do ano de 1936! Num domingo, tinha terminado a missa dominical, iniciada às 9 horas. As pessoas que nela haviam tomado parte já se encontravam no adro. O Sr. Adelino convida-os a aguardarem uns minutos, pois queria ter uma pequena conversa com todos.

Segurava um livro na mão (era legislação das Casas do Povo).

Sobe acima da parede do resguardo do adro e começa a falar, atraindo todos os presentes. As suas primeiras palavras foram para fazer a apologia dos fins para quais as Casas do Povo haviam sido criadas. Lembrou os benefícios que elas haviam de trazer a todos, mas especialmente ao mundo rural. O numeroso auditório, manifestamente interessado, ouvia-o com grande satisfação. Com a sua bem argumentada exposição conseguiu desde logo um número suficiente de pessoas para requerer a criação da Casa do Povo, nomeando-se uma Comissão Instaladora. Em 27 de Abril de 1937, é superiormente concedido o Alvará que dá força jurídica à criação da Casa do Povo de Lousado, Concelho de Vila Nova de Famalicão e Distrito de Braga.

Seguidamente são admitidos sócios e posteriormente são feitas as primeiras eleições para a formação dos Corpos Gerentes. Como logicamente não podia deixar de ser, Adelino Leitão da Silva é eleito Presidente da Direcção.

Já na qualidade de timoneiro, Adelino Leitão da Silva começa por orientar com grande mestria e com reconhecimento sentido de responsabilidade a boa navegabilidade do pesado barco.

Com a sua notável lucidez, com o seu entusiasmo e com a sua juventude, sabia até onde devia e podia ir. A sua audácia e o seu talento começam logo a ser postos à prova. Assim, a primeira tarefa que se propôs levar avante, foi a construção do edifício físico da Casa do Povo. Sem demora começou idealizar o seu magnífico projecto, vindo a sumptuosa obra (Casa do Povo) a ser concluída e inaugurada festivamente a 22/06/1941. Devemos acrescentar e fazemo-lo consciente e gostosamente, que a designação: “Casa do Povo” aqui nesta obra se enquadra perfeitamente bem. Pois poucos teriam sido os Lousadenses que, para a sua construção não contribuíram com a sua ajuda, com o seu esforço e com o seu trabalho. Todos dedicadamente ajudaram na sua construção. Por isso, Casa do Povo – Casa de Todos? Esta data 22/06/41 foi histórica para Lousado. A partir dela, Lousado iniciou um novo ciclo de vida, pois iniciou um surto de progresso e de desenvolvimento a todos os níveis. Porque as gerações mais jovens desconhecem o dinamismo e a hercúlea força de vontade dos seus dirigentes, imprimida nos primeiros tempos da vida deste Organismo Corporativo.

No período temporal da sua constituição se viviam tempos economicamente difíceis. Tudo faltava! Vivia-se a terrível e mortífera guerra de 39 a 45. Porque tudo faltava, houve que ser decretado o racionamento de viveres. O pão, alimento básico e por isso fundamental para a alimentação humana estava incluído no racionamento. Por isso passava-se fome de pão. Consciente desta terrível situação, a direcção da Casa do Povo, em colaboração com a Junta da Freguesia (o presidente da direcção da Casa do Povo era simultaneamente o presidente da Junta de Freguesia) correndo vários riscos, vão a Paredes de Coura, terra farta em produção de cereais e com pouca população e compram uma camioneta de milho e centeio. Estes cereais chegaram a Lousado e são recolhidos na Casa do Povo, onde é distribuído através de senhas e em função do seu agregado familiar a todas as famílias Lousadenses. Esta operação foi feita tantas vezes quantas foi necessário. Enquanto os Lousadenses eram suficientemente abastecidos de pão, noutras terras próximo desta passava-se fome. Outra acção prepotente desta Casa do Povo, graças ao seu prestígio, foi ter contribuído para que a Manufactura Nacional de Borracha (Mabor) aqui tivesse vindo a ser edificada.

Para quem não sabe, a escritura da compra e venda dos terrenos, foi feita nesta casa.

No referente à construção de obras, foi nessa época áurea que foi enquadrado nos Monumentos Nacionais a Ponte da Lagoncinha, que se construíram Pontes (ponte denominada Rebelo); que se captou e distribuiu pela freguesia inteira água, levando-a não só aos domicílios, mas também distribuindo-a pela via dos fontenários. A distribuição da água era nesse tempo privilégio das terras grandes. Haviam sedes de concelho que ainda não beneficiavam desse bem. Abriram-se e construíram-se algumas estradas e as escolas.

A este período inicial, seguiu-se uma fase limitada praticamente à prestação de serviços na área da saúde e da previdência social.

Atravessávamos já a era decadente do “Estado Novo”, finais do período “Salazarista”, princípios do “Marcelismo”. Foi um período caracterizado pelo alargamento dos benefícios de previdência social e de assistência médica. A Casa do Povo transformou-se na “caixa” dos trabalhadores rurais e estendeu a prestação dos cuidados de saúde a toda a população, colocando mais médicos a trabalhar sob a sua alçada. As freguesias de Cabeçudos e Esmeriz passaram a pertencer à área geográfica desta Casa do Povo, integrando os trabalhadores rurais dessas freguesias nesta “Caixa de Previdência”.

No domínio cultural, recreativo, assistencial e desportivo, a acção da Casa do Povo, constituiu um elevado marco referencial.

Aqui foram levadas à cena várias peças teatrais, todas feitas com a “prata da casa” que é o mesmo que dizer, com artistas Lousadenses. Todas elas com casas cheias; aqui se passaram durante vários anos e com períodos regulamentados muitos filmes, todos eles com sentido pedagógico, moralizadores e educativos. No domínio desportivo fomos brilhantes na pesca não só de rio mas também de mar, conseguindo obter os primeiros lugares a nível nacional.

Aqui se prepararam gerações de jovens para o bom conhecimento da vida doméstica, através de cursos administrados na área da costura, de bordados, da culinária e do bom comportamento cívico.

A casa do Povo podemos dizê-lo sem receio de desmentido foi o verdadeiro motor de arranque destas apreciáveis estruturas sociais que estamos a usufruir. Bem-haja quem lutou afincada e acerrimamente para que assim tivesse acontecido. É esta, embora que os traços largos, a trajectória da vida da Casa do Povo.

Há um período, nesta instituição de plena apatia, foi após o 25 de Abril, sequente às transformações políticas e sociais que emergiram. Foi uma etapa da vida da Casa do Povo algo indefinida, cinzenta, sem iniciativas e de mera gestão do património. Os responsáveis não souberam, ou não quiseram, acompanhar a evolução dos tempos, estagnando por completo a acção da Casa do Povo. Depois de retirada a tutela da saúde e da segurança social dos rurais, surge o decreto-lei nº 4/82, definindo um novo regime jurídico para as casas do povo, autonomizando-as e entregando-lhes um estatuto próprio do associativismo. Os dirigentes da altura esgotam-se na sua missão, limitando-se passivamente a assistir ao passar dos tempos, numa postura de evidente cansaço, desmotivados e/ou não vocacionados para esta nova filosofia de trabalho, isto é, de orientação da acção na dinamização da colectividade no seu todo, de particular enfatização dos eventos culturais e desportivos comunitários, de integração das diferentes sensibilidades de opinião, de alheamento de feudos partidários ou de segregação de elites.  

O dinamismo renasceria nos princípios da década de noventa, com uma nova gestão. Os novos corpos gerentes, inspirados no diploma que restitui às casas do povo o espírito associativista e que as torna autónomas em relação a qualquer poder político ou paternalista, assentes na vasta experiência associativa que desfrutam, nas áreas cultural e desportiva, imprimem uma nova dinâmica. E os resultados estão à vista, com uma infinidade de iniciativas que coloca esta Casa do Povo no topo das suas congéneres, regressando, a par e passo, às origens, mesmo apesar dos tempos serem outros.

Casa do Povo de Lousado é uma pessoa colectiva de utilidade pública, de base associativa, constituída por tempo indeterminado, com o objectivo de promover o desenvolvimento e bem-estar da comunidade.

Casa do Povo tem por finalidade desenvolver actividades de carácter social e cultural, com a participação dos interessados, e colaborar com o Estado e as autarquias, proporcionando-lhes o apoio que em cada caso justifique, por forma a contribuir para a resolução de problemas da população na respectiva área.

 

Para a realização dos seus fins, a Casa do Povo:

Promove acções de animação sócio-cultural, quer por iniciativa própria, quer de acordo e em coordenação com outras entidades.

Fomenta a participação das populações nas acções tendentes a satisfazer as necessidades da comunidade da respectiva área e a melhorar a sua qualidade de vida.

Executa, por delegação e por solicitação, tarefas cometidas a serviços públicos, de forma a aproxima-los das populações.

Participa no planeamento de acções de carácter económico, social e cultural que abranjam a respectiva área.

 

Actividades:

Cedência de instalações

Biblioteca

Escola de Musica

Danças de Salão

Pesca (rio e/ou mar)

Jogos de Mesa (Bilhar Livre, Snooker, Damas e Sueca)

Karaté

Ténis de Mesa

Futebol Salão

O Jornal Voz da Casa do Povo

Convívio de esplanadas - (realizam-se durante o mês de Julho e Agosto)

Comemoração do 25 de Abril

Eventos Musicais

Teatro

Escola de Música

 

O edifício é de grande beleza, sendo aplicados, na sua construção, materiais da região o que o tornam ainda mais característico.

Hoje podemos constatar que houve muito brio, tanto na sua recuperação como na sua conservação, o que delicia os olhos de quem o contempla

 

António Máximo

O Jornal Voz da Casa do Povo

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